Restaurante Cisne Azul, Melbourne, Austrália. Kevin e Maggie aguardam que o empregado os venha atender no salão de almoços e jantares. É um dia muito importante para ambos. Na noite anterior decidiram viver juntos e iriam começar a procurar uma casa para transformar no seu lar. No olhar de Maggie notava-se uma doçura extrema, desde pequena que sonhava com aquele momento, o de sair de casa com o seu príncipe encantado com quem iria viver feliz para sempre. Na sua mente já tinha um número incontável de ideias para rechear o seu ninho. Já Kevin estava mais entusiasmado com a ideia de ter alguém com quem adormecer e acordar, alguém com quem partilhar as noites.
Um sismo. Não. Algo mais potente. Uma explosão. Um bombista suicida faz-se explodir na mesa ao lado. A onde de choque percorre os corpos do casal e uma bola de fogo propaga-se pela sala incendiando tudo à sua passagem. Ambos ficam estatelados no chão, cobertos de um misto de sangue e material derretido. A atmosfera está demasiado quente para respirar e os seus pulmões vão batalhando para continuarem a funcionar.
Uma nova explosão. O gás da cozinha certamente. Toda a estrutura do prédio treme e ameaça ruir a qualquer instante.
Maggie vai gritando com horror e chama por Kevin, tentando reconhece-lo entre um mar de corpos rastejantes.
Mas não obtém resposta.
Apenas o crepitar da madeira a arder quebra o silêncio. E nem um foco de luz pelo meio da barreira de fumo.
Do nada um braço agarra no ombro direito de Maggie. É Kevin. Reunindo as ultimas forças puxa a namorada por entre os destroços, tossindo a cada passo. Os dois corpos quase colados por aquela forja infernal furam por onde podem na esperança de atingir a porta.
Mas o chão acaba por ceder.
Um enorme buraco abre-se sob os pés de Maggie que escorrega. Com a mão direita Kevin ainda a agarra e acaba prostrado de joelhos. Apenas ele impede a queda da sua amada para um mar de chamas que se eleva a seus pés.
Quase sem forças, Kevin tenta desperadamente içar a amada, fazendo força com os pés contra o cão instável e usando as suas reservas de energia para a tentar puxar… mas é inútil.
Maggie sabe-o.
“Amo-te, sabias?” – diz ela. “ Desde aquele dia em que entornei café nas calças e tu foste a única pessoa no escritório que não riu.”
Sorri.
“Não te vou deixar!” – diz Kevin, com um grito de raiva e choro compulsivo. “Não te vou largar. Nunca! És minha”.
“Sim sou. Para sempre! Mas agora tenho de ir… desculpa mas hoje não te vou levar comigo.”
E dito estas palavras Maggie largou as mãos do namorado deixando-se cair de braços abertas nas chamas que a aguardavam.
Kevin ficou catatónico. Viria a si semanas depois, no hospital, onde lhe disseram que foi o único sobrevivente do atentado.
Abandonou o emprego e partiu para África numa associação não governamental de apoio às vitimas da guerra.
Nunca viria a casar, demasiado apaixonado por Maggie para voltar a interessar-se por outra pessoa.
Fim
…
Agosto 13, 2008 de poguis










